Estou farta do estado deste país, já me fartei aqui e em outros locais web públicos de insultar o Sócrates, mas começo a achar que a culpa não é dele, nem dos parvalhões que votaram nele. A culpa é da cambada de gente preguiçosa que vive às custas de que trabalha.
Estou furiosa, é verdade, e isto merece denúncia pública, mas aqui a burra vai mandar umas postas de pescada na net e se calhar a coisa até fica por aqui... Eu vou descrever uma série de acontecimentos que parecem ficção, mas são a pura verdade, pois passaram-se comigo.
Como é do conhecimento da maioria das pessoas que lêem o meu blog eu no dia 19 de Novembro tive um acidente de carro, acontece, apanhei óleo, ninguém está livre... Quando cheguei à oficina de reboque, sim, porque o reboque chegou mais rápido que o táxi, aconselharam-me a ir à esquadra fazer participação do acidente pois iria tratar-se de uma reparação cara e o despiste havia sido provocado pelas más condições do pavimento.
Aqui a menina bem mandada, meteu-se no táxi, que chegou entretanto, e foi à esquadra. Logo aqui primeiro entrave: "isso não vai dar em nada, tinha de ter chamado ao local, ali há todos os dias acidentes porque as pessoas entram com muita velocidade na curva, vai perder o seu tempo, eu saio daqui a 5 minutos..."
Esta ultima frase, "eu saio daqui a 5 minutos" fez todo o sentido por cima das anteriores. Mesmo assim exigi fazer a participação, pois é um direito que me assiste e aleguei que também saio muitas vezes depois da hora e nunca disse a nenhum cliente: "despache-se lá porque eu saio daqui a 5 minutos"!
Ora o PSP muito contrafeito entregou-me um formulário de participação de acidente e pediu-me os documentos. "Ora escreva aí o que é que aconteceu, assine onde tem a cruz e deixe ficar que eu 2ª feira preencho o resto, depois vai ligar na 3ª feira para a esquadra de Custóias para saber o número do processo e a seguir vai à Divisão de Trânsito de Matosinhos pedir uma fotocópia, mas não vai dar em nada, nem tem testemunhas nem nada..."
Eu já furiosa escrevi o que me ocorreu, agradeci da forma educada que me ensinaram e saí.
3ª feira lá liguei para a esquadra a dizer o que pretendia ao que me perguntaram em que dia foi, "6ª feira respondi", "isso já me disse minha senhora, mas que dia foi isso?" A PSP não tem calendários? Adiante...
Hoje saí de trabalhar às 15h para ir à Divisão de Trânsito e em seguida à Câmara Municipal de Matosinhos, visto que já tenho o carro arranjado e a factura do mesmo, dado obrigatório, tal como a participação do acidente para apresentar reclamação.
O Agente simpático que me atendeu, com idade para ser meu pai, e certamente daqueles que andou à bastonada aos estudantes da Geração Rasca quando decidimos mostrar o cu à Ministra da Educação, sorriu e disse-me: "Menina, vai ter de vir cá amanhã, já fechei a secretaria." Olhei para o relógio, eram 16h15. Ao meu ar de espanto o Sr. Agente acrescentou: "Sou eu que trato disso, se tivesse chegado até às 15h55 ainda lhe fazia o jeitinho, agora já passa da hora."
Bem, fiquei em estado de choque, antes de começar a tratar o homem de quanto de mau havia para dizer, aleguei humildemente: "Sabe, eu saí de trabalhar às 15h em Santo Tirso, está a chover e há um grande acidente na via rápida, estão lá os seus colegas todos, ainda nem almocei..." E o estupor, porque não quero insultar a mãe do homem, riu e respondeu: "Sabe, nós estamos abertos à hora de almoço, passe cá amanhã."
Merecia ou não merecia que lhe fosse às trombas?! De que é que me serve que eles estejam abertos à hora de almoço se eu não posso ir lá a essa hora? Dá vontade de dizer: "Vai gozar com o caralho, reforma-te e deixa trabalhar quem quer!"
Não satisfeito ainda me disse que a Câmara estava aberta até às 17h, que podia passar por lá, claro que sem a participação do acidente não serve de nada... Eu acho que já me devias estar a espumar de raiva porque o simpático agente acompanhou-me à porta.
Amanhã de manhã tenho uma consulta, se der tempo, vou a Matosinhos tratar do assunto. Ao lado da esquadra tem uma loja chinesa, aproveitei para comprar um guarda-chuva, esses sim, trabalham, coitados e é por isso que estão por todo o lado. Antes de entrar no carro parei no primeiro café que encontrei, decidi comer antes que me desse qualquer coisa. Pedi uma meia de leite morna e meia torrada. Escusado será dizer que a meia de leite estava a escaldar e a torrada fria...
E não, eu não sou uma coitadinha a quem tudo acontece, nem uma maluquinha que decidiu revoltar-se contra tudo e todos, sou apenas mais uma peça da "Geração Rasca" que faz das tripas coração para viver neste país de merda que nós temos. Desculpem-me o palavreado menos correcto, mas se as palavras já constam no novo Dicionário de Português da Porto Editora, causando grande celeuma nos papás que, até tiveram tempo de antena no Telejornal, também podem ser colocadas on-line.





