sábado, 2 de agosto de 2014

As coisas maravilhosas que as crianças fazem e não sabem...

Estou eu no meu local habitual deste horário, a vegetar no sofá, ouço a porta do quarto da miúda a abrir. Levanto-me pronta para a mandar de volta para a cama e vejo-a a andar devagarinho 120 centímetros despenteados, pé esquerdo calçado com o chinelo do pé direito, pé direito sem chinelo, um boneco em cada mão e ar de zombie... Dirige-se à casa de banho, dá-me os bonecos, resmunga qualquer coisa, deixa cair o chinelo enquanto faz o que lá foi fazer, volta para a cama e fica a dormir. Enquanto isso eu sorrio, acendo a luz mais fraca, ponho os chinelos no sítio, o Ferrugem nos pés da cama e o Tambor ao lado dela. Cubro-a com o lençol e saio devagarinho. 

O que isto tem de maravilhoso não está ao alcance de todos, e o que me vou divertir amanhã a contar-lhe, como de costume, não se vai lembrar de nada.


terça-feira, 29 de julho de 2014

Assim vai o Serviço Nacional de Saúde...

Eu sou daquelas pessoas que se anda sempre a queixar que dói aqui e ali, mas que nunca vai ao médico. Ok, às vezes, quando me chateiam muito a cabeça vou… o problema é que a experiência não é boa, o que cria reticencias sempre que necessito de voltar.

Há um ano atrás andava eu a fazer testes de gravidez uma vez que aquilo que é suposto acontecer todos os meses não acontecia. Os testes eram negativos, a coisa não se dava e lá consegui consulta para o início de Setembro com o médico de família.

O médico de família ao ver a quantidade de exames que tinha que me mandar fazer, e fazendo contas ao seu plafond, mandou o processo para a Maternidade Júlio Dinis, actual Centro Materno Infantil do Porto.

Fim de Novembro, fim mesmo, dia 28, chama-me para a bendita consulta. Uma médica revoltada com o sistema, com os cortes, com a falta de competência do pessoal da secretaria, diz-me que fui mal encaminhada, pelos vistos a senhora atendia Ginecologia Geral e não Planeamento familiar. Mas lá me atendeu e fez processo.

Na secretaria informam-me que não me podem marcar consulta nem os exames solicitados uma vez que ainda não tinha agenda para 2014. Mas eu é que sou mau feitio…

No final de Janeiro, dirijo-me à Maternidade Júlio Dinis para saber quando seria a tal consulta, dizem-me que continuam sem agenda, que não sabem se a doutora vem, que meteu atestado, mas que garantidamente receberia uma carta em casa… (breve, sintomas em Julho, estamos em Janeiro, se fosse gravidez bem nascia a criança sem eu ter consulta)

A carta lá chegou para fazer uma ecografia a 25 de Fevereiro e outra carta com a bendita consulta para o dia 4 de Março. (mas eram duas ecografias pensava eu com os meus botões)

Dia 25 de Fevereiro lá fui fazer a eco, quando fui pagar descubro que a outra eco que era suposto ter feito, mas que não me avisaram, tinha sido cobrada, tal como o exame de despiste do cancro do colo do útero, que é gratuito e obrigatório. Paguei, bufei muito e reclamei ainda mais. Marcaram-me a eco que faltava às pressas e dizem-me para reclamar o pagamento do exame com o médico de família, pois ele é que o deveria ter mandado fazer, sendo pedido por Ginecologia Geral tem o custo de 5€.

Pés ao caminho, toca a ir reclamar ao centro de saúde, mas para reclamar com o médico tinha de pagar 5€ de consulta… eu respeito muito quem trabalha neste país, não fui mal educada com nenhuma das funcionárias, mas confesso que me saltou a tampa e reclamei bastante… Disse adeus aos 5€ e aguardei pela consulta.

Dia 4 de Março lá fui, o médico atrasado, sim, médico, afinal a doutora sempre se foi embora, nem para a minha cara olhou, falava entre dentes, tinha uma assistente tímida de olhos no chão e lá me disse que iria fazer um tac e ter nova consulta em Julho, que era para operar. Mandou-me entregar umas folhas na recepção e chamou a próxima.

Fiquei a saber que lá para Julho teria consulta, entretanto iria receber as cartas com as datas dos exames e da consulta, se não recebesse era melhor ligar a perguntar.

Chegamos a Julho, lá recebi as cartas, uma para análises, o bendito tac e a consulta. Como nenhuma das cartas indicava o local fui tentar saber… estavam a deitar abaixo os pavilhões da Maternidade Júlio Dinis e lá descobri onde fica o novo, e ainda em fase de acabamentos, Centro Materno Infantil do Porto.

A única porta a funcionar era a das urgências, gente bem disposta e simpática lá me disse onde iriam ser as análises o tac e a consulta.

As análises correram bem, apesar de ter estado 1h em pé numa sala lotada de grávidas, algumas delas a fazer prova da glicose e sem cadeiras suficientes para todas. (quer dizer, havia mas como algumas traziam a família toda a coisa complicava-se)

O tac foi marcado, em jejum para as 17h45 em dia de greve dos médicos, wii sorte malvada… lá fui eu perguntar se havia ou não médico, ao que me explicaram que era um técnico de radiologia e como tal não devia ter problemas. 1h depois do previsto lá estava um enfermeiro bem disposto a chamar-me e a explicar-me o que ia acontecer.

Dia 24 de Julho lá vou eu à consulta, desta vez não atrasou muito mas fui das coisas mais estranhas que me aconteceram em 37 anos de utente do Serviço Nacional de Saúde, passo a transcrever:

- Bom dia Paula, está tão gira! Sente-se…
- Obrigada!
- Shit! Não tenho aqui o relatório da tomografia…
- Não?
- Faça o seguinte, ligue-me 5ª feira de manhã.
- Ok, eu ligo!
- Combinado.

Aperta-me a mão e eu saio meia abananada com a consulta mais estranha que já tive. Vou à menina da recepção e explico o que aconteceu, ela dá-me o número de telefone e até a extensão do médico, informa-me que é uma telefonista que atende na central, caso eu consiga que me atendam. (MEDO!)

Chega 5ª feira e eu passo a manhã pendurada ao telefone, “o número para o qual ligou não se encontra disponível, por favor tente mais tarde.” Até ao 1820 liguei e o número que me deram era o mesmo.

De tarde, pés ao caminho, informam-me que o médico só estava de manhã, dizem-me para voltar a ligar 2ª, ou 3ª ou 5ª… (inspira, expira…)

2ª feira logo de manhã peguei no telefone fixo, liguei, ti-ti-ti… Que se lixe, vou para a praia, hoje não me apetece chatear com isto.

3ª feira, hoje, ti-ti-ti… Vou ao Google e procuro o número do Centro Hospitalar do Porto, onde me informam que o número que tenho estado a ligar se encontra avariado sendo normal eu não conseguir a ligação. Só quando eu perguntei se me conseguiam passar a chamada um a vez que eu tinha a extensão do médico é que me disseram que sim. E começou uma nova odisseia:

No consultório atende a assistente, explico o que se passar e ela passa ao médico, explico quem sou e este pede-me para esperar enquanto despacha a doente, despachada a doente diz-me que continua sem o relatório do tac e pede-me que ligue de volta e peça para transferir à Secretaria de Radiologia. (entretanto dá-me o número do processo)

Ligo de volta e solicito a transferência para a Secretaria de Radiologia, espero e espero, atendem, explico o que pretendo e passam a chamada, espero e desespero, atendem e passam ao Raio X, espero mais um bocado e lá me atendem, explico a situação, “mas quem é a senhora? Só podemos dar a informação ao médico…”

(inspira, expira, não insultes a senhora que ela não tem culpa)

Com muito jeitinho voltei a explicar a situação, esclareci que não pretendia saber o resultado do exame, apenas precisava que o colocassem disponível no processo para o médico consultar e me dizer se vou ser operada, a quê exactamente e já agora (não querendo abusar da sorte) quando.

“- Então diga ao médico que o exame foi para o SMIC e como está a ser analisado externamente não temos acesso ao relatório.” (era difícil?)

Ligo novamente ao Cento Hospitalar do Porto, solicito transferência para o médico e transmito o recado.

“- Olhe, ligue-me 5ª feira a ver…
- Obrigada, até 5ª!”

FODA-SE!!


Ao fim de tudo isto já me sinto no direito de ser mal educada… Se fosse para parir já tinha parido, se fosse para morrer já tinha morrido… claro que eu já sei o que tenho e que não mata, só mói, tenho de ser operada, sabe-se lá quando, até lá, bem, até lá espero sentada e de boca fechada porque se reclamar muito se calhar não me operam.

sábado, 12 de abril de 2014

Aquele 6º sentido...

Hoje de tarde fui com a miúda participar numa actividade no Mercado Bom Sucesso. Depois de umas 10 voltas ao perímetro encontrei um lugar para estacionar e, como é habitual, um arrumador (sim porque técnicos de estacionamento só há em Campanhã). Eu até dava uma moeda ao rapaz, mas a verdade é que não tinha nenhuma. Ainda por cima tinha compras na mala e precisava de lá ir buscar uma saca para a dita actividade... lá fui discretamente à mala, remexi a carteira e disse-lhe que não tinha moeda, mas que daria na volta.

Algo me dizia que o carro não estava seguro ali, como ainda tinha tempo fui lanchar a uma padaria em frente, nós íamos ao sitio na cidade do Porto onde há a maior concentração de coisas boas por metro quadrado, mas o meu 6º sentido disse-me que era melhor lanchar ali. Sentamos-me junto à janela, dali via o carro e o rapaz. Distrai-me com a miúda e deixei de ver o rapaz. Um alarme começa a tocar, que surpresa, era o do meu carro... a miúda engoliu o sumo, pegou no pão e lá fomos. 

Cheguei ao carro e lá estava o rapaz como se nada fosse à espera de carros. Questionei-o sobre o que se tinha passado e limitou-se a dizer que não tinha visto nada. Desliguei o alarme, meti a miúda no carro, e fui ao local para onde deveria ter ido assim que cheguei, o parque do Shopping Cidade do Porto.

Eu não gosto de julgar ninguém, mas o meu carro tem mais de 10 anos e esta foi a 2ª vez que o alarme tocou, é daqueles que só toca com abertura de portas ou tentativa de abertura de portas, sendo que a única porta que tem fechadura é a da mala. 

Fica o aviso, até pode ter sido o vento, o autocarro que passou ou obra e graça do Espírito Santo... Paguei cerca de 3€ por pouco mais de 1h mas ao menos estive descansada.



sábado, 5 de abril de 2014

"Ele ama-me!"

Depois de um longo dia, sim longo, daqueles que parecem dois já estava em modo piloto automático. 

Hoje, sábado, levantei-me ainda mais cedo do que o habitual, e debaixo de uma chuvinha infernal, que teimava em cair sempre que eu saia à rua, levei a Piolha a assistir a uma aula de violoncelo (que passou a ser o seu instrumento favorito), esqueci-me de lhe dar o antibiótico, levei-a à loja da Disney, levei-a à natação... isto só de manhã.

De tarde, porque sim, eu gosto de ir a eventos, fomos ao Oporto Kids Market. Ora a seguir ao almoço eu e ela já acusávamos algum cansaço, e eu sem tomar café, carregada com casacos, guarda-chuvas, lanche e uma capa de actividades (que era suposto ter ficado no carro) ela com o mau feitio de qualquer criança que está cansada e devia ter dormido 5 minutos.

Não satisfeita das façanhas do dia, decidi a caminho de casa ir ao Shopping Cidade do Porto comprar o lápis de escrita, que ela insistia em me lembrar que precisava para a escola e a seguir, só porque estava ali, ainda fomos lanchar ao Mercado Bom sucesso. Sim, eu sou doida, masoquista e sei lá mais o quê, mas eram 18:30 consegui tomar o meu segundo café do dia (sim, só tomei dois cafés hoje, e neste momento já entrei em modo zombie).

Isto tudo para dizer que na rotina do deitar eu estava 99% off, mas ainda com consciência de mãe consegui dizer: - Anda cá por pomada nessa borbulha que tens na cara.

Blá, blá, blá, ela falava e falava, aquela criança fala como eu nunca vi, nem nos meus tempos áureos de não me calar um minuto eu fui assim, ela não se cala um segundo. Estou eu de fucidine na mão a besuntar-lhe a cara e ouço: - Ele ama-me!

Trim, trim, tinoni, bem, café duplo, ouço sirenes na minha cabeça: - Repete lá isso...
- Então mamã, o João C estava-me a chatear e sempre a dizer: - Tens uma borbulha na cara. Eu chateei-me com ele. O Francisco nunca me chateia porque ele ama-me!

E pronto, 6 anos e 38 dias, sem um dente de leite e com as baterias no máximo ela tem tanto de talento como de mau feitio, tanto de bonita como de chata, e agora além de mim (do pai e restantes familiares próximos) sente-se amada por um pirralhito amoroso que tem tanto de inteligente como de mal comportado. Casal perfeito. E eu preciso de uma bebida forte para digerir tudo isto.


domingo, 30 de março de 2014

Há pessoas que nos fazem falta...

Realmente a escola da vida é um curso sem fim. Há pessoas que passam por ela para nos ensinar coisas boas, outras para nos ensinar regras, há aquela fase em que faltamos, em que nos baldamos... e há aquela fase em que temos de fazer um resumo. De facto alguns dos professores desta vida não nos ensinam nada, há aqueles que nos marcam e aqueles que simplesmente se vão. Tudo uma metáfora para dizer que com o passar dos anos aprendemos com quem podemos contar, aprendemos a lição, afinal os amigos são a família que escolhemos. Eu tinha tanto mais para dizes, mas não me apetece, porque também há aqueles que nos desiludem e esses, bem esses não merecem o nosso tempo.



segunda-feira, 17 de março de 2014

A minha experiência com a "vitamina verde"...

Quem me conhece sabe que eu e os verdes não nos damos muito bem... ora a moda do momento é a vitamina verde, para quem não conhece é só ir ao Google e aparecem logo milhentas fotos, receitas, opiniões... Claro que todos nós conhecemos alguém que já experimentou, é um fenómeno tipo Binby, toda a gente tem, e quem não tem, tem alguém a massacrar para ter. 

Eu sou daquelas que digo: "- Nem que me pagassem!" Mas também sou daquelas pessoas que tem amigas mais teimosas do que eu e hoje de manhã fui presenteada com um copinho da dita vitamina. Não cheira mal, mas confesso que tive medo de cuspir a pessoa que me ofereceu e optei por trazer para casa.

Comida eu não deito fora, e a curiosidade já apertava... dei um golinho pelo caminho, não me pareceu mal de todo. Assim que cheguei a casa preparei um copo, mola para o nariz (brincadeirinha) e uma garrafa de água, não fosse correr mal.

Ora bem, a coisa é da cor da sopa, mas cheira a fruta e sabe a fruta. O meu estômago estranhou e ainda está aqui meio às voltas, mas não me soube mal, soube-me a banana daquelas um bocadito aguadas, era de rir se não tivesse banana. Sim, ela não me disse o que meteu lá dentro... 

No fim dei ao cão a provar, o meu cão topa tudo, desde que seja de comer. Cheirou, virou a cara, voltou a cheirar e lá deu uma lambidela.

Isto no verão com uma pedrinha de gelo deve saber bem, agora trocar o meu leite com café e o meu pão com fiambre... hum, não quero cuspir para o ar, mas não me parece. Para quem tem vontade de experimentar, é tranquilo, não sabe mal.

Preparar...

Provar...

Já foi!

Até o cão provou.

domingo, 9 de março de 2014

É um facto...


Pronto, tenho dias bons, dias muito bons e dias assim assim... mas sou mãe coruja com a minha Piolha sempre debaixo da asa, naquele eterno descontentamento de lhe sentir a falta quando não está e de enlouquecer quando a tenho por perto.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

O tempo que passa...

E de repente cai-nos a ficha, a nossa bebé já fala fluentemente, diz à cabeleireira como quer que lhe corte o cabelo, lê de forma autónoma e dorme de luz apagada. Mas como é que isto aconteceu? Ainda ontem falava uma língua que só eu entendia, chorava para cortar o cabelo, pedia para lhe ler histórias e dormia de luz ligada.

E pronto, é isto, parece que foi ontem, mas este mês já faz 6 anos, olha para a vida do alto do seu metro e qualquer coisa e eu passei a pintar o cabelo mais vezes, não para mudar a cor, mas para tapar as brancas.