Se há coisa que põe de lágrimas nos olhos instantaneamente é uma criança doente. Não falo daquelas coisas que todos têm de ter para se tornarem adultos saudáveis, falo de doenças a sério que fazem crianças e pais mudarem-se para a pediatria de um hospital público.
Ora se isto me toca quando não é nada comigo, quando é com alguém que conheço arrasa-me. Soube ontem que o meu primito está internado na pediatria do Hospital de São João e que vai precisar de um coração. O Rafael tem 7 anos, um irmão de 2 anos e perdeu a mãe há cerca de um ano e meio por insuficiência cardíaca. Ela já não chegou com vida ao hospital, ele quase ficou pelo caminho.
O meu primo João, o pai, está há uma semana a viver numa cadeira de hospital, não consegue deixar o filho, parece que o Rafael já está melhor, livre de perigo, mas vai ser sempre uma criança em risco e vai precisar de um coração novo.
Que fé pode aguentar isto? Como é possível acreditar que Deus é bom e é amor quando se vê tanta tristeza. Nós crescemos a saber que vamos perder os avós, os pais, os tios, alguns amigos e até quem sabe a pessoa que amamos, mas não há nada que nos possa preparar para saber que a qualquer momento podemos perder um filho.
O João, é da minha idade, é o quarto filho que os meus tios já não pensavam ter. Os meus tios têm mais de 70 anos, têm já netos adultos e qualquer dia bisnetos. Estão desfeitos, são pessoas simples, sempre viveram no campo, ontem andavam a semear batatas enquanto pediam a Deus que lhes salve o neto. Só tenho lágrimas, não tenho mais palavras...
O Rafael afinal é rijo, esteve muito mal, mas parece que se vai safar...
ResponderEliminarFui visita-lo, estava todo bem disposto a ver vídeos no YouTube.
Amanhã vai fazer mais exames, mas parece que está a correr tudo bem e o seu coraçãozinho vai aguentar.